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Humanos perderão seus postos de trabalho? Insights sobre a Indústria 4.0

por Natália Braulio29 de mai. de 2020

Humanos perderão seus postos de trabalho? Insights sobre a Indústria 4.0

O dia 1º de maio é reconhecido internacionalmente como homenagem ao trabalho e aos trabalhadores. E, para aproveitar esse tema, selecionamos um conteúdo muito interessante para este mês: a indústria 4.0 e as relações de trabalho.

Certo, mas o que é Indústria 4.0?

Trata-se de um modelo de produção em que máquinas e ferramentas estejam conectadas à “internet das coisas”, interagindo entre si e com a capacidade de operar, tomar certas decisões e se corrigir. Alguns exemplos das tecnologias que dão base à Indústria 4.0 são: Inteligência Artificial, Big data e Machine Learning.

Suas transformações apresentam um potencial de aumentar a flexibilidade, velocidade, produtividade e qualidade dos processos de produção. Porém, seus impactos irão muito além: afetarão a economia, as empresas, os governos e a rotina de trabalho.

Com base em um artigo científico de 2018 sobre a Indústria 4.0, nós pinçamos 4 insights com o objetivo de fomentar a sua reflexão sobre momento em que vivemos. Vamos lá?

1. “A real tendência do aumento do desemprego tecnológico, e em contrapartida a criação de postos de trabalho mais qualificados”

Pode parecer exagero, mas a Indústria 4.0 pode ser a grande responsável pelo fenômeno do desemprego tecnológico, ou seja, o desemprego causado pelo uso em massa de tecnologias que tornam o trabalho humano quase que obsoleto. É previsto que este fenômeno tenha grande efeito na sociedade, principalmente na questão financeira e social.

O que parece ser um consenso na busca por uma solução é a criação de novas vagas em níveis gerenciais ou em áreas que exigem maior qualificação, como ciências matemáticas e da computação por exemplo. A Indústria 4.0 parece causar maiores efeitos em tarefas consideradas simples e rotineira, ou seja, onde a automação pode ser aplicada.

Porém, nem tudo é negativo. Tais inovações já apresentam efeitos positivos sobre a oferta de emprego, sobretudo na expansão de serviços ao consumidor e nas áreas de softwares e análise de dados, onde as empresas apontam que já existe bastante dificuldade em encontrar profissionais qualificados atualmente. Ou seja, já existe uma demanda de mão de obra qualificada!

2. “A necessidade dos trabalhadores de desenvolverem uma série de competências para manter suas condições de empregabilidade”

A necessidade do aperfeiçoamento de competências e habilidades, conhecida também como “atualizar o currículo”, é uma consequência lógica da evolução tecnológica no mercado de trabalho. Trata-se de uma “reciclagem” do profissional, a exigência da adaptação às novas tecnologias e às mudanças organizacionais que elas provocam, visando manter-se interessante para o mercado de trabalho.

Já é reconhecido que profissionais de nível superior nas áreas de tecnologia da informação e de produção serão os principais beneficiados pelos efeitos da Indústria 4.0, como já foi apontado no primeiro insight. No artigo científico mencionado, é identificado 3 competências consideradas de alta relevância no cenário da Indústria 4.0:

Competências funcionais: entendidas como aquelas necessárias para o desempenho técnico e profissional de tarefas. Competências comportamentais: mais intrínsecas e relacionadas às atitudes do profissional. Competências sociais: relacionadas com a capacidade de interagir e trabalhar com outras pessoas.

3. “A maior interação entre o homem e a máquina”

Esse Insight se refere às diversas ferramentas e tecnologias que permitem ao profissional “dialogar” com a máquina, principalmente pelo uso de dispositivos móveis como smartphones, tablets e smartglasses. Trata-se das ferramentas capazes de permitir controles operacionais por meio de telas, reconhecimento de voz ou gestos, tornando o trabalho mais intuitivo, prático e eficiente.

É possível listar alguns exemplos onde essa maior interação proporcionará benefícios ao profissional e empresa, como: produção assistida por robôs, manutenção preditiva e controle operacional.

Em analogia ao termo “Indústria 4.0”, é apresentado o conceito de “Operário 4.0”, sendo ele um profissional inteligente e habilidoso que executa o trabalho auxiliado constantemente pelas tecnologias disponíveis junto a “internet das coisas”.

4. “Transformações nas relações socioprofissionais”

São transformações que abrangem o cotidiano da gestão e organização da força de trabalho que, inevitavelmente, será afetada pela maior digitalização da produção. Esse impacto faria parte dos efeitos indiretos provocados pela Indústria 4.0.

Semelhante às revoluções industriais anteriores, a organização de trabalho não se tornará mais horizontal na Indústria 4.0 e, diferentemente do prometido, o poder de decisão e a autonomia dos trabalhadores não aumentará, conclui Loris Caruso. Segundo o autor, a Indústria 4.0 intensificará os já conhecidos resultados concretos das transformações dos processos produtivos ocorridos sob a proteção do sistema capitalista, que são: redução da força de trabalho, redução dos direitos e garantias dos trabalhadores e o aumento da concentração de capital e do monopólio das forças de produção.

Ainda nesse cenário de transformações, torna-se inevitável a reinvenção da liderança, ou seja, da prática de gerir pessoas. A qual deve empregar novos tipo de ferramentas analíticas para detectar talentos e lacunas de habilidades, fornecendo informações que ajudem as organizações a alinhar suas estratégias de negócios, gestão e inovação.

O ponto central da discussão, então, passa a ser como desenvolver essas competências de forma a promover o potencial humano nas organizações e atingir aos anseios desta quarta revolução. Duas principais estratégias emergem como urgentes: a primeira, relacionada à aprendizagem e à inovação no ambiente de trabalho; e a segunda, uma necessidade de reformulação nos sistemas educacionais, unificando os interesses públicos, privados e científicos. É com essa percepção que o autor Daniel Buhr sugere: “é imprescindível que olhemos com mais atenção para esse aspecto, para que seja possível identificar onde estão os riscos, mas também as oportunidades para o progresso e a inovação social”.


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